
Obra de domínio público do artista plástico brasileiro Almeida Júnior (1851-1899)
No dia 8 de maio foi celebrado o Dia do Artista Plástico. A data foi estabelecida em 1950 para homenagear a pintura, uma das manifestações artísticas mais conhecidas e antigas da humanidade. Na ocasião, escolheu-se o dia do nascimento do pintor brasileiro José Ferraz de Almeida Júnior (1851-1899), considerado um dos nomes mais importantes das artes plásticas no século XIX no país.
Almeida Júnior ficou conhecido como o primeiro artista plástico brasileiro a retratar em suas obras o realismo regionalista, trazendo assuntos, até então, inéditos no cenário artístico nacional, como a simplicidade dos gestos, os costumes do povo, cores e espaços do interior do país, personagens caipiras e anônimos em situações cotidianas. Dentre suas obras, destacam-se: Caipira Picando Fumo (1893); O Violeiro (1899); O Derrubador Brasileiro (1879) e Moça com Livro (1879).
Ao longo do tempo, com a evolução das tecnologias e diversidade de materiais, as artes plásticas, ou artes visuais, foram se reinventando e se multiplicando em formas e expressões. Assim, ao celebrarmos o Dia do Artista Plástico, é importante pensar na amplitude da profissão e sua importância histórica e cultural, destacando a arte como forma de expressão crítica, educativa e de transformação social.
A diversidade da arte
Além da pintura, temos diversas outras manifestações que compõem as artes visuais, como o desenho, a gravura, a fotografia, a colagem, a escultura, a instalação, a cerâmica, o grafite, a tecelagem e, inclusive, as artes digitais.
Na arte contemporânea, artistas buscam novas formas de criar e mostrar sua arte, usando diferentes ideias, temas, materiais, suportes e espaços que vão muito além do tradicional. A arte passa por diversas experimentações, com propostas sensoriais que são atravessadas por contextos globais de tensões geopolíticas, crises climáticas, novas tecnologias e novas gerações. As artes visuais ocupam vários espaços, tentando chegar mais perto, ser mais visível e acessível para as pessoas. A galeria pode ser a rua ou pode virar tela; a tela pode ser o corpo, o corpo pode ser escultura; a escultura pode ser também um ‘objeto encontrado’ no dia a dia da vida comum.
A obra nem sempre precisa ser algo físico. Ideias, sensações e conceitos também fazem parte da criação artística, valorizando mais o significado do que apenas a técnica ou a representação de pessoas e paisagens. São muitas possibilidades.

Edifício sede do Sesc em Minas: Obra de Eduardo Kobra/ Foto: Guiga Guimarães
Projeto Parede Sesc
O Projeto Parede Sesc é uma iniciativa realizada principalmente em Minas Gerais, que convida artistas para criar obras e intervenções inéditas ao vivo em espaços de grande circulação, como o Sesc Palladium. O projeto dialoga com tradições históricas da arte mural, como os muralistas mexicanos, e com práticas urbanas contemporâneas, como o grafite e outras intervenções visuais urbanas
A ação promove o encontro direto entre artista e público, permitindo que as pessoas acompanhem de perto o processo criativo de forma espontânea e surpreendente. A arte muda completamente a paisagem dos espaços, inserindo a linguagem da narrativa visual no cotidiano das pessoas. Cada pintura inserida na paisagem cultural não atua apenas como elemento de embelezamento, mas também como dispositivo de construção de novos olhares sobre o território, sobre a memória e sobre os espaços que atravessamos diariamente.
O Projeto Parede cria pequenas rupturas no cotidiano, aproximando arte, cidade e convivência. Ao transformar espaços cotidianos em suportes artísticos, o projeto amplia o acesso à cultura e à arte contemporânea pela comunidade, estimulando o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e públicos.
Além do Sesc Palladium, o Projeto Parede também já passou por outras unidades do Sesc, como Sesc Montes Claros, Sesc Poços de Caldas e Sesc Uberlândia.
Ao longo de suas edições, o projeto já recebeu artistas e coletivos reconhecidos na cena da arte urbana, como Luna Bastos, Coletivo Habitantes, Hyper, entre outros. As obras resultantes das intervenções permanecem em exposição por até 60 dias, ampliando a experiência do público e fortalecendo a presença da arte em diferentes espaços.
Coleção Arte Sesc Minas
Nesse sentido, revisando algumas obras da Coleção Arte Sesc Minas, a artista Yara Tupynambá, pioneira do muralismo em Minas Gerais, dialoga bastante com a ideia de paisagem cultural. Na obra, datada de 2012, a artista constrói visualmente o Vale do Jequitinhonha por meio da arquitetura vernacular (estilo construtivo baseado em tradições locais), dos fornos, dos utensílios domésticos, dos pássaros e, sobretudo, da presença simbólica das mulheres do barro e dos saberes populares ligados à cerâmica.
A pintura também evidencia como essas produções atravessaram fronteiras e passaram a circular nacional e internacionalmente desde a década de 1970. Yara representa, por exemplo, uma boneca de Dona Izabel Mendes acondicionada em uma caixa identificada para envio a museus, evocando o reconhecimento dessas mestras da cultura popular para além do território mineiro. É importante perceber como a arte consegue construir narrativas sobre os espaços e territórios para além da representação literal da paisagem, trazendo também seus modos de vida, memórias e tecnologias culturais.
Confira a programação cultural do Sesc em Minas e participe das atividades e exposições de artes visuais perto de você: sescmg.com.br/cultura