São mulheres com um saber e um dom que atravessam gerações e chegam a quem precisa de cuidado, afeto e espiritualidade. Mais que curadoras do corpo, elas são cuidadoras da alma.
Para quem busca alívio, o alívio chega. Para quem se entrega à fé, a fé renova. E, assim, as benzedeiras continuam mantendo viva uma tradição, uma maneira de ser, viver e se doar que não se prende a regras ou dogmas, templos ou escrituras.
De onde vem essa cultura na cidade de BH.
A cultura das benzedeiras na cidade de BH não tem uma cronologia exata. O que se sabe, através de relatos e histórias de quem vive esse universo, é que desde os tempos em que a medicina tradicional era um privilégio para poucas pessoas, elas estavam lá, exercendo sua missão.
Sempre aprenderam com as gerações anteriores. Suas práticas, seus modos e seus gestos escapam do convencional, mas tocam profundamente quem os recebe. Vivência, experiência e um senso de solidariedade que faz com que as benzedeiras mantenham com o lugar em que residem um vínculo duradouro, harmonioso e de admiração mútua. Uma atividade que não se explica: acredita-se.
Assim, de geração em geração, seguem benzendo, curando e levando esperança e conforto para as pessoas que nelas confiam, se entregam e se aliviam.
O Projeto “Bença à Benza”.
Atento à importância de se valorizar, fomentar, difundir e preservar os patrimônios populares brasileiros, o Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas, integra o Projeto Territórios de Memória e Patrimônio Cultural, desenvolvido pelo Departamento Nacional do Sesc.
Nesse contexto, o Projeto Bença à Benza, lançado em 2024, surge no Sesc em Minas a partir da cultura de tradição mineira para mapear, registrar e catalogar as benzedeiras da Grande Belo Horizonte que ainda estão ativas. Além disso, busca ainda compartilhar a trajetória e a vivência dessas verdadeiras mestras do saber com o público.
“Minas Gerais possui uma riqueza histórica e diversificada de manifestações e demonstrações culturais. Com o Bença à Benza, buscamos dividir com o público um pouco da riqueza que é o trabalho realizado por algumas benzedeiras do nosso estado. São retratos e registros que nos ajudam a compreender e nos orgulhar, cada vez mais, das nossas origens e da nossa diversidade sociocultural”, afirma Ana Gabriela Ferreira de Oliveira Gomes, analista de Cultura do Sesc em Minas.
Receba de braços abertos as benzedeiras e todo o seu saber.
Conheça o trabalho de algumas delas.