Sesc 80 anos: cultura que transforma e conecta as pessoas

Apresentação do Coral Jovem Sesc – Foto: Eduardo Galleto

Ao longo de sua história, o Sesc tem desenvolvido inúmeras ações em diferentes áreas de atuação, sendo a cultura um elemento fundamental para o sucesso de todas elas. Há 80 anos, a instituição promove vivências e experiências que incentivam o diálogo e a reflexão, valorizam artistas e estimulam a diversidade, fazendo da cultura um motor para a transformação social.

Presente em todos os estados brasileiros, o Sesc acompanha e desenvolve ações em rede a fim de fortalecer a produção artística e ampliar o acesso à cultura dos mais diversos públicos. Diferentes atividades e expressões culturais, como teatro, dança, circo, artes visuais, música, literatura e produção audiovisual, fazem parte de uma programação acessível, diversa e plural, realizada tanto em espaços especializados, nas capitais e no interior, como em espaços públicos, promovendo a troca entre artistas e plateia.

Atuação cultural do Sesc em Minas

As primeiras unidades do Sesc no estado de Minas Gerais, na década de 1950, foram pensadas para possibilitar a estruturação de atividades culturais, que iam desde a realização de festejos e comemorações à criação de clubes e associações culturais. Realizadas ao longo do ano, os eventos levavam em conta datas especiais, como Páscoa, Festa Junina, Natal e os aniversários das unidades. As atividades eram planejadas e executadas pelo público frequentador do Sesc, diretriz do Departamento Nacional, entendendo que cada festa era um momento de socialização, que buscava também valorizar as tradições culturais.

Com o passar do tempo, a política nacional do Sesc começa a investir em ações culturais. Surgem diversos projetos dedicados a teatro, cinema, artes visuais, música e literatura, difundindo e valorizando a cultura alternativa produzida no Brasil. A cultura no Sesc assume, então, a responsabilidade de utilizar as diversas linguagens como instrumento de preservação das tradições regionais.

Música

Os primeiros cursos de música do Sesc em Minas foram criados a partir dos grupos de convivência, chamados de grêmios ou clubes, que se formavam entre pessoas com interesses comuns. A partir dos grupos, foram criados o Coral Santa Cecília, a banda Consesc e a banda Carlos Gomes. Assim, todas as unidades começaram a ofertar cursos de violão, piano e acordeão, que eram as atividades mais disputadas nos anos 1950.

Em 1971, o Sesc em Minas criou o Setor de Cultura e Orientação Social. A partir daí, outras ações maiores começaram a ser promovidas nas décadas de 1970 e 1980, como o Festival de Compositores Comerciários, evento inspirado nos festivais de canção popularizados pelos canais de televisão da época (TV Excelsior e TV Record).

Minas ao Luar 500 Apresentações – Pampulha -BHFoto: Tarcísio de Paula

Em 1994, em parceria com a TV Globo Minas e prefeituras locais, nasceu o consagrado projeto musical Minas ao Luar, com o propósito de preservar e difundir as tradições seresteiras, rapidamente tornando-se um dos principais produtos culturais do Sesc em Minas. Já foram realizadas mais de 700 edições, com mais de 3 milhões de pessoas impactadas e cerca de 200 cidades visitadas pelos quatro cantos do estado.

Outros projetos musicais de caráter itinerante surgiram nos anos posteriores, tais como Minas em Seresta (1996) e Causos e Violas das Gerais (2002), que difundiam duas das mais genuínas manifestações de Minas Gerais: os causos mineiros e a moda de viola. Em 1999, veio o I Encontro de Banda, mantendo a proposta de preservação e valorização da cultura tradicional.

Os anos 2000 marcariam uma nova fase do Sesc em Minas de incentivo à cultura e de difusão das artes em geral. Atividades amplamente disseminadas entre as unidades e popularmente conhecidas continuaram em expansão, conquistando novos públicos e assumindo novas configurações, como os Concertos no Parque (2003), que leva à população apresentações de orquestras, corais líricos e solistas convidados; Som de Minas (2002); e o posterior Sons e Tons (2005), que valorizava artistas que atuavam amadoramente.

A década de 2010 é marcada pela inauguração do Sesc Palladium (antigo Cine Palladium) em agosto de 2011, que passou a ser o principal centro de atividades culturais do Sesc em Minas e de Belo Horizonte. Nele se concentram exibições e mostras de cinema, apresentações de espetáculos teatrais, shows, concertos e debates, dentre outras atividades.

Encontro da Música Mineira -Sesc Palladium – Foto: Dúnia Catelli

A partir de então, a atuação do Sesc em Minas se intensifica com foco em projetos que articulam formação artística e democratização do acesso à cultura, como a Orquestra de Câmara Sesc e a Orquestra Sesc de Viola, que promovem formação musical gratuita, com prática coletiva e integração social, desenvolvendo habilidades técnicas, musicais e artísticas. Ainda, projetos como o Mesa Brasil Musical valorizam a diversidade e articulam cultura e ação social.

Cinema

Na década de 1950, o planejamento da Colônia de Férias Sylla Velloso (atual Sesc Venda Nova) já considerava a construção de um cinema para hóspedes. Em 1959, quando ocorreu a primeira temporada de férias na unidade, o cinema foi aberto ao público, contando com 432 lugares e um projetor próprio para a tecnologia cinemascope – percussor do formato widescreen –, e obteve uma plateia de mais de 11 mil pessoas naquele primeiro ano de funcionamento.

Mostra Sesc de Cinema – Crédito: Dúnia Catelli

A partir dos anos 2000, o programa de cultura do Sesc em Minas passou a incrementar atividades relacionadas ao cinema, priorizando iniciativas que promovessem o debate, como as sessões de filmes comentadas. Dentre os projetos mais populares desenvolvidos, temos Cine Sesc (2009), Mostra de Cinema e Vídeo, Cine Arte, Tela em Tela e exibição de curtas; além da sala de cinema no Sesc Palladium, que oferece sessões a preços populares em uma estrutura intimista.

Literatura e incentivo à leitura

O Sesc promove a literatura e o incentivo à leitura em todo o Brasil, por meio de bibliotecas, projetos e premiações culturais, como o Prêmio Sesc de Literatura.

 As bibliotecas do Sesc são espaços preparados com o objetivo de despertar o gosto pela leitura em todas as idades. A primeira biblioteca em Minas Gerais foi inaugurada em 1957, junto ao Sesc Tupinambás. Chamada Biblioteca Central, ficava junto ao prédio do Senac. Mais tarde foi criada a Biblioteca Ambulante, um programa de visitas a empresas, para as quais eram levadas caixas-estantes contendo uma seleção de livros, que ficavam à disposição dos trabalhadores e das trabalhadoras por cerca de dois meses.

Atualmente, o Sesc em Minas possui o projeto Sesc Conecta, que engloba ações da Rede Sesc de Bibliotecas, disponibilizando consultas e empréstimos de livros, com acesso gratuito a um acervo físico com mais de 1.500 títulos; biblioteca escolar; biblioteca digital (através do aplicativo Árvore); espaço de leitura e convivência; e atividades culturais diversas e de incentivo à leitura, como oficinas, debates, contações de histórias e bate-papos.

Já o projeto Arte da Palavra estimula a formação de público leitor e a divulgação de novos nomes da literatura, promovendo debates, contação de histórias, oficinas e novas formas de produção e fruição literária. 

Dança e teatro

Núcleo de Formação de Dança – Foto: Tarcísio de Paula

No campo das artes cênicas, um programa de grande destaque é o Palco Giratório. Difundido por todo o Brasil pelo Departamento Nacional do Sesc, chega a Minas Gerais em 2009, com uma proposta de intercâmbio e difusão das artes cênicas.

O TRUPIFestival Itinerante de Artes Cênicas promove a circulação de circo, dança e teatro por Minas Gerais, levando espetáculos e oficinas gratuitas para espaços públicos e de livre circulação.

Na dança, também são promovidas oficinas, cursos e apresentações.  Para isso, o Sesc mantém o Núcleo de Formação em Dança, que oferece formação continuada gratuita para crianças, articulando educação e expressão artística em várias modalidades, como danças clássica, moderna, contemporânea, urbanas e populares brasileiras.

Arte

A partir da década de 2010, as artes visuais também ganharam destaque. O Projeto Parede convida artistas para criarem obras e intervenções inéditas ao vivo nos espaços das unidades, promovendo o contato direto do público com a arte contemporânea.

Assinatura da empena – obra de Eduardo Kobra – Foto: Dúnia Catelli

O Sesc Arte Urbana amplia essa proposta para o espaço público, por meio de murais de grande escala assinados por artistas de renome, integrando arte e cotidiano urbano.

Já o LABmais – Laboratório Sesc de Artes, Mídias, Tecnologias e Juventudes incentiva a produção colaborativa e a experimentação no universo digital, voltando-se especialmente para o público jovem.

Outras manifestações culturais

A cultura popular sempre teve espaço nas ações do Sesc em Minas. Em destaque, o Festival de Cultura Popular,realizado em1980 em todas as unidades de Belo Horizonte a fim de valorizar as tradições populares mineiras. O evento ficou conhecido como Festa do Folclore Mineiro e continuou sendo feito ao longo daquela década, sempre no mês de agosto.

Antes disso, em 1978, veio a criação da Central de Artesanato do Sesc Minas (Cenarte), com o objetivo de divulgar o trabalho de artesãos e artesãs; a Galeria de Arte do Sesc (Galeart), em 1981, veio dar apoio a nomes do estado em início de carreira nas artes plásticas.

Ao longo de sua trajetória, portanto, o Sesc em Minas consolidou uma atuação cultural diversa, acessível, formativa e em constante transformação, reafirmando o compromisso da instituição, nesses 80 anos, com o fomento e a democratização do acesso à cultura.

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