Como você tem utilizado a água? O que tem feito para preservar fontes, mares e rios? E no seu dia a dia? Sabia que estamos num estado de falência dos recursos hídricos?
É, o assunto é muito sério. O abastecimento de água no mundo entrou em falência, resultado de décadas de uso excessivo, poluição e impactos causados pelas mudanças climáticas. Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água promove a conscientização sobre a importância da preservação e do uso sustentável dos recursos hídricos. A data foi criada em 1992 pela Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Rio-92), que estabeleceu a água limpa e segura e o saneamento básico como Direitos Humanos.
Crise hídrica
O relatório “Falência Hídrica Global”,publicado em janeiro de 2026 pelo Instituto para Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, alerta que o mundo entrou em uma fase crítica de colapso dos recursos hídricos.
Os dados indicam que metade dos grandes lagos do mundo vêm perdendo água, e 70% dos principais aquíferos apresentam declínio. Nas últimas cinco décadas, 410 milhões de hectares de zonas úmidas naturais também foram destruídos, trazendo consequências para o comércio, além de problemas de migração, equilíbrio climático e relações geopolíticas. O relatório afirma que muitas sociedades não só gastaram em excesso suas fontes de água renovável proveniente de rios, solos e neve derretida, como também esgotaram suas “reservas” de longo prazo em aquíferos, geleiras, zonas úmidas e outros reservatórios naturais.
Em síntese, o estudo mostra que a humanidade não enfrenta mais uma crise temporária de água, mas sim uma falência estrutural dos sistemas hídricos, exigindo respostas urgentes e de longo prazo.
Produção mundial de alimentos está sob risco
O relatório aponta ainda que, em muitas regiões, o que antes era uma seca ocasional transformou-se em escassez permanente de água. Assim, muitos sistemas hidrológicos importantes ao redor do mundo atingiram um ponto sem volta, em que o volume de água extraída é muito maior que a reposição natural, colocando em risco quase metade da produção mundial de alimentos.
Paralelamente às mudanças físicas, a qualidade da água também caiu em muitos locais, devido a aditivos usados na agricultura, despejo de esgoto, resíduos de mineração, poluição por plásticos e contaminantes, como produtos farmacêuticos e de higiene pessoal. Essa poluição degradou rios, lagos e águas costeiras. Bacias hidrográficas densamente povoadas estão sendo afetadas pela proliferação de algas nocivas, contaminação por agentes tóxicos, o que dificulta o reaproveitamento da água para uso humano.
O levantamento ressalta o impacto das escolhas e das atividades humanas no esgotamento dos recursos hídricos, criando situações crônicas, enfatizando que a falência da água é uma questão séria de justiça e segurança globais. O foco de governos e autoridades agora deve ser a gestão dessa falência, de forma a prevenir danos irreversíveis, transformar setores que consomem muita água e priorizar transições justas para comunidades vulneráveis.

Água e Gênero: onde a água flui, a equidade cresce
Em 2026, a campanha de preservação da ONU aborda “Água e Gênero”, com o objetivo de mostrar como a democratização do acesso à água pode contribuir para a redução da desigualdade de gênero. A organização chama a atenção para o papel de mulheres e meninas no gerenciamento de água no cotidiano e a necessidade de colocá-las no centro da busca por soluções, envolvendo a gestão de recursos hídricos no âmbito global. Pensando nisso, a campanha propõe: “Onde a água flui, a equidade de gênero cresce”.
As mulheres são as mais afetadas. Em condições de alta vulnerabilidade, elas caminham longas distâncias para coletar água, estão em menor proporção nos órgãos de gestão de recursos hídricos e vivem em locais sem saneamento básico, sofrendo com problemas de saúde, segurança, evasão escolar e perdas de oportunidades.
O que você pode fazer no dia a dia?
- Uso consciente: pratique os “3Rs”, reduza, reutilize e recicle. Prefira produtos duráveis e sustentáveis. E lembre-se de que essa é uma responsabilidade de toda a família, não apenas das mulheres e das meninas.
- Faça a divisão justa de tarefas domésticas: inclua a gestão do consumo de água nas tarefas a serem divididas.
- Evite o desperdício e reconheça o papel das mulheres na gestão da água (envolva toda a família): adote práticas simples como reutilizar a água da máquina de lavar, fechar bem as torneiras, verificar possíveis vazamentos e reduzir o tempo de banho. Ao mesmo tempo, valorize o conhecimento e a participação feminina em iniciativas comunitárias e familiares de gestão da água, incentivando a contribuição de todas e todos para um uso mais consciente e sustentável desse recurso.
- Proteja as fontes: combata o desmatamento;conserve as Áreas de Proteção Permanente (APPs) para preservar rios, lagos e outras fontes de água.
- Cobre políticas públicas: leis que regulamentem o uso eficiente da água, investimentos em infraestrutura para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e incentivo à participação comunitária na gestão hídrica.
Ações do Sesc em Minas
Com a crise hídrica, é essencial o gerenciamento correto, sustentável e consciente da água. O Sesc em Minas, integrado ao Sistema Fecomércio MG, orienta-se por uma política de respeito ao meio ambiente, por meio de uma série de ações do Programa de Sustentabilidade Ecos, presente em todas as unidades do estado.
Confira algumas ações importantes:
- Avaliação rigorosa dos órgãos ambientais nas unidades que utilizam captação subterrânea por poços tubulares profundos;
- Medições diárias de consumo e tempo de captação, bem como seu registro confiável em sistema;
- Tratamento da água fornecida;
- Monitoramento continuado para garantir a qualidade e a potabilidade da água, com análises periódicas;
- Uso de equipamentos ecoeficientes: as novas unidades, assim como aquelas que passaram por reformas, foram equipadas com torneiras temporizadas que reduzem o desperdício de água e descargas de duplo acionamento, garantindo uso mais racional conforme a necessidade;
- Além disso, por meio da Rede Sesc Ação Comunitária, são realizadas diversas ações de sustentabilidade, empreendedorismo feminino, políticas de gênero e ações educativas voltadas ao desenvolvimento econômico das comunidades, além de promover ações de sensibilização e práticas comunitárias que fortalecem o uso consciente e sustentável da água.
Sendo assim, o alerta é para agora! A continuação da vida no planeta depende de nossa capacidade de adotar medidas responsáveis e ações concretas, seja em nossas casas, nas indústrias ou nas empresas. Assim, podemos contribuir para a preservação do meio ambiente e deixar um legado de sustentabilidade para as gerações futuras.
Descubra outras ações sustentáveis realizadas pelo Sesc em Minas:
www.sescmg.com.br/sustentabilidade