O comércio do dia a dia …  

É difícil determinar exatamente quando as atividades comerciais tiveram início, mas sabemos que as trocas de produtos ocorrem desde os primórdios da humanidade. Conforme o homem foi se organizando em comunidades, tornava-se mais clara a possibilidade de trocar com seu vizinho o que lhe era excedente, por outra coisa que tivesse maior necessidade. Esse tipo de troca direta, embora tenha funcionado por um tempo, apresentava dificuldades, como encontrar alguém que tivesse intenção de trocar o produto do qual o interessado precisava e estabelecer a quantidade justa entre produtos complemente diferentes. 

Essa é a origem da moeda, um meio de troca com valor predeterminado, que poderia ser oferecida, em maior ou menor quantidade, por qualquer tipo de produto, ampliando as possibilidades de trocas, principalmente entre lugares cada vez mais distantes.  

O comércio passou, ao longo do tempo, por muitas modificações. Dos mercados medievais, passando pelas grandes navegações dos séculos XV e XVI e o mercantilismo, pela Revolução Industrial e pela globalização, o comércio experimentou os mais variados modelos de troca, estabeleceu suas regras e constituiu uma das bases da economia mundial. 

… e o Dia do Comerciário 

No Brasil, a história do comércio não é menos complexa. Ligado aos gêneros agrícolas, durante o período colonial e imperial, o comércio foi sendo dinamizado aos poucos, com a crescente industrialização e urbanização do país, no século XX. As décadas de 1930 e 40 representam um marco para os trabalhadores brasileiros, das mais diversas áreas, que lutavam por direitos básicos, como estabelecimento de um limite para a jornada de trabalho, regulamentação de férias e horas extras. Nesse cenário foi promulgada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e criadas instituições voltadas para o aprendizado profissional e bem-estar social do trabalhador, como o Sesc e o Senac.  

O Dia do Comerciário também nasceu desse contexto de contestação e reivindicação. No dia 29 de outubro de 1932, cerca de cinco mil trabalhadores do comércio do Rio de Janeiro seguiram em passeata em direção ao Palácio do Catete, então sede do Governo Federal, para levar suas reivindicações ao Presidente Getúlio Vargas. 

Autorizada pelo presidente Vargas, a jornada de trabalho diária, que se estendia de 12 a 14 horas, foi reduzida para 8 horas, além de terem sido estabelecidos o descanso semanal e intervalo de descanso diário. Essas medidas, que já haviam sido previstas por um decreto de março de 1932, foram aprovadas e regulamentadas pelo Decreto nº 22.033, publicado nos dias seguintes à manifestação. Dessa forma, o dia 30 de outubro passou a ser considerado um dia de comemoração para os comerciários, cujas conquistas, ao longo do tempo, foram estendidas às demais categorias de trabalhadores. 

Em março de 2013, por meio da Lei nº 12.790, a profissão de comerciário foi definitivamente regulamentada, e o dia 30 de outubro confirmado como Dia do Comerciário. Mas muito antes dessa confirmação legal, outubro representava um mês de festa para o Sesc. Considerado o mês do comerciário, em outubro uma série de eventos eram realizados em homenagem aos trabalhadores, desde a década de 1950. As comemorações poderiam ocorrer somente no dia 30, em outros dias do mês ou mesmo durante uma semana inteira, em que eram oferecidas atividades recreativas e esportivas, como os torneios de futebol e vôlei entre diversas firmas comerciais, desfiles e apresentações artísticas. Em Belo Horizonte, inicialmente a festa ocorria na Colônia de Férias Sylla Velloso, atual Sesc Venda Nova, por oferecer um espaço adequado ao imenso número de pessoas que participava das comemorações. Aos poucos, a festa foi sendo descentralizada para as várias unidades do Sesc, inclusive no interior, visando estreitar cada vez mais os laços com o comerciário mineiro. 

Confira a galeria de imagens dessas comemorações ao longo do tempo: 

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